RUÍNAS ALADAS

Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.



Segunda-feira, Novembro 27, 2006

E-MAIL EM RESPOSTA A CARLOS MACHADO ou PARA QUANDO NÃO SE TEM INSPIRAÇÂO PARA POESIA, SE TEM PARA RESPOSTAS POÉTICAS

Oi Carlos.

Acho que às vezes a gente pode chegar lá. Não sei. Acho que o tempo nos torna flexíveis ou nos enrigessem. Tenho medo de virar pedra, e me curvo o tempo inteiro.

Não sei se realmente compreendo o que leio. Às vezes o texto simplesmente vem e passa, como os minutos do dia. Às vezes passa e arrebenta o corpo, me deixando meio tondo, querendo um pouco de água, sentindo o sangue escapando das veias rompidas.

Ainda sou feto prematuro nas estradas da poesia. Acho que faço o caminho contrário. Comecei contemplando a realidade, o mundo, um olhar incocente querendo ver a magia das pequenas coisas, mas com um espírito decaído. Hoje não sei mais o que sou, pois definir-me me aprisiona. Sei apenas que já joguei pra cima todas as possibilidades de compreender ou ser compreendido, tentando apenas me ater às formas irracionais da memória, ao corpo que caminha pelegrino sem destino, enquando ata nós em si mesmo, tropeçando nos próprios pés.

Viajei demais na provocação, mas acabo não sendo leitor ativo. Só não sei se estou tão longe da louca santidade dos anciões. (Já sinto, inclusive, alguns traços sutis de uma demência precoce. Demência de loucos que olham a realidade com uma lentidão estranha).

Grande abraço poético,

Luiz Fernando

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:55 PM Comments:



Segunda-feira, Novembro 20, 2006

VOLVER

Artist: Estrella Morente
Album: Mujeres
Year: 2006
Title: Volver Print
Correct


Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno

Son las misma que alumbraron
Con su pálido reflejo
Unas horas de dolor

Y aunque no quise el regreso
Siempre se vuelve
Al primer amor

La vieja calle
Donde le cobijo
Tuya es su vida,
Tuyo es su querer

Bajo el valor de las estrellas
que con indiferencia
Hoy me ven volver

Volver...
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
la aclaro en mi cien

Sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
Hurrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir...
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que lloro otra vez

Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida

Tengo miedo de la noche
que poblada de recuerdo
Encadenan mi soñar

Pero el viajero que huye
Tarde o temprano
Detiene su azar

Y aunque el olvido
que todo lo destruye
aya matado
A mi vieja ilusión

Cuarto escondida
Y una esperanza humilde
que es toda la fortuna
De mi corazón

Volver...
Con la frente marchita
La nieve del tiempo
La aclaro en mi cien

Sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
herrante entre la sombra
Te busca y te nombra

Vivir...
Con el alma ferrada
A un dulce recuerdo
que yo notare...


(Gracias a Michael por esta letra)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:58 PM Comments:



"[...] O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais,
há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo,
pois estou longe de ser uma pessimista;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!
"

(Florbela Espanca)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:51 AM Comments:



Domingo, Novembro 12, 2006



VERMELHO

Entre o abismo e a escada
o grito vermelho degola
a surda imagem de minha sombra
precipitada, afodando-se
no caldo imerso das pulsações.

Entre as fendas e as brasas
mergulho meu corpo de vidro
na convulsão paranóia
das noites incendiárias
destroçando sonhos.

Entre a loucura e a santidade
um lapso cor de silêncio
abafado, sufocando
num grito mudo arrancando
vísceras, ossos, delírios.

(L. F. Calaça | 12/11/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:23 PM Comments:



Terça-feira, Novembro 07, 2006

MEDITAÇÕES EM NOITE TRANQÜILA

A noite morta me faz pensar nos desvios que a vida dá,
qando escolhemos andar sozinhos, segurando o próprio ombro.
Já sinto o silêncio dos pensamentos abafados na cabeça.
Penso nas noites, na cama solitária, sem um corpo.
Acho que volto a me acostumar com a ausência.
Preciso me acostumar, para não cair no chão de asfalto,
ou mergulhar na curvatura do corpo sobre si mesmo.
Isso não é um poema, ou um conto, uma ficção.
Conto esse momento agora, em que reviro os cacos de mim.
Estou tranquilo, apesar da falta de voz acariciando a face.
Frases, idéias... Pedaços de mim que não saem do lugar.
Escrevo como quem morre calmamente, olhando a janela.
Estou vivo, no entanto. Preciso de um beijo apenas.
Um beijo pra afagar meus sonhos.

(L. F. Calaça | 7/11/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:52 AM Comments:



Domingo, Novembro 05, 2006

RETILÍNEO

pedaços de sonhos arrancados num grito
jogo-me nas siladas do meu corpo
atravessando abismos destilados
como água, como cobre
taça encobridora
das palavras segmentos
dos mínimos momentos rarefeitos
onde enlouqueço mudo
desafiando a gravidade dos corpos lunares
meticulosamente apressado, apressando saídas
da cena, do ato, do espetáculo
como grito que se desfaz em Lua
e rege o cósmo, o vendaval-palavra
nas noites iluminadas de brisas
perdendo sono, retina
metendo as mãos no saleiro
círculo concêntrico
palavras devassadas
corpo devassado
história inacabada.

(L. F. Calaça | 05/11/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 10:42 AM Comments:



Sábado, Novembro 04, 2006

ASSALTO

Prefiro as ruas úmidas
do centro da cidade perdida.
O Sol grita minha pele
que arrasta couraças metafóricas
como quando o corpo treme
no limite daquele medo
atrás das sombras aladas.
Corpo e compasso
Corpo e (des)compasso

Diluo minhas falsas certezas
onde dedilho corpos
reclusos nos cilindros de ópio
carregando olhos, fluidos
das sirenes cabalisticas.
Ondas atrás das pedras
Ondas atrás dos olhos
Pedaço disforme de mim.

(L. F. Calaça | 4/11/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:25 PM Comments:



Sexta-feira, Novembro 03, 2006

O ANTI-ROMÂNTICO

Quero acabar tudo
até a última gota de saliva
até o último suspiro poético.
Não aguento delicadezas e atenção.
Não me acostumo a isso. Aos bons tratos.
Sou fugitivo dos sentimentos tranquilos.
Só sei amar no caos dos turbilhões.
Quando arremesso flechas no peito
e distroço meu corpo nascente
renegando o último beijo
ao coração-rejeição.

Amor,
já não aguento
esse sentimento tranquilo,
essa cotidianeidade dos toques,
esse fervor requetado
da cama de hotel.

Amor,
quero noites em chamas,
quero dores-açoite,
pro meu corpo senzala.

(L. F. Calaça | 03/11/2006)

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